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Grupos de Apoio Otimistas e Produtivos (Encontros)

sábado, 23 de outubro de 2010


Rodrigo Cardoso Ribeiro, Engenheiro mecânico, representante moderador do Grupo de Apoio para Pessoas que gaguejam de Porto Alegre-RS

Rodrigo Cardoso Ribeiro, Engenheiro mecânico, representante moderador do Grupo de Apoio para Pessoas que gaguejam de Porto Alegre-RS dá seu relato sobre seu núcleo.

"O grupo é uma troca de experiências entre pessoas que gaguejam, são exclusivas a elas, gratuitas e geralmente são encontros mensais.

Como funciona a questão de ser otimista e produtivo? Todos aqui sabem que a gagueira tem tratamento, então isto já é algo otimista.

Porque produtivo? As pessoas vão ao grupo porque querem uma ajuda. Vamos fazer com que ele seja produtivo. Então, mãos à obra para conseguirmos juntos o que queremos.

Como um grupo pode ajudar as pessoas? Vou explicar dando os dois lados da gagueira. A parte inerna: medo de falar, a respiração irregular, fugas, medos de mudança e o lado externo é a gagueira propriamente dita, são os bloqueios, as repetições e os prolongamentos.

Como o grupo atua para cada lado? Para o lado interno da gagueira, o grupo vai fazer com que a pessoa conheça outras pessoas com a mesma dificuldade, ele vai ser um ambiente com menos medo de falar, será uma chance de você ver a gagueira de outras pessoas e ver a própria gagueira e também ficar envolvida em melhorar a própria fala.

Para o lado externo, o grupo ensina técnicas e lá você pode pratica-las e também ser um ambiente de estudo para quem for.

Vamos ver exemplos de como o grupo pode agir:
Para o lado interno, já aconteceu algumas vezes no grupo: "Eu tenho uma forma de falar muito esquisita, tenho vergonha", então pedimos para que a pessoa mostrasse e respondemos que ele poderia falar no rádio, até gravamos para que ela mesma pudesse ouvir e percebeu que ficava melhor. Teve outro caso parecido com um integrante que nunca gagueja no encontro. Ele dizia que ao falar devagar, não gaguejava e é como fala naturalmente, mas acha estranho. Com este retorno de todos do grupo, ele pensou que podia usar esta forma de falar no encontro.

Só o fato de ir ao grupo, é uma forma de admitir a gagueira. Falando sobre isso, você fica mais a vontade para falar com pessoas fora dali.

Outro exercício muito bacana que fizemos, é cada um pegar um papel e listar quais os motivos para querer melhorar a fala. Isto nos obriga a pensar e quando escrevemos, fica claro. Na minha lista tinha uns 45 motivos. Se pegar outras listas, nos motiva a melhorar.

Anotei uma frase de um dos participantes: Quando encontramos pessoas que nos entendem, sabem das dificuldades que passamos e sugerem melhorias, dá resultado mesmo.

Exemplos de como o grupo atua para o lado externo:
Cada integrante leva técnicas. Temos praticado uma de fazer leituras com a velocidade bem reduzida, para depois termos uma fala com bastante fluência. Teve outra que dobramos o papel em forma de L e descobrir cada sílaba das palavras. Na mesma hora teve outro integrante que adorou isso, mesmo que para algum outro não tenha tido tanto resultado. Como a gagueira é sempre diferente de uma pessoa para a outra, é importante ter essa diversidade.

Também abordamos bastante os exercícios do livro Autoterapia para a Gagueira.

Como fazer? Estava pensando em como passar isso de uma forma que mostre como por isso em prática. Eu escolhi contar o caso de uma pessoa do grupo que trouxe o seguinte relato: "Minha gagueira tem me deixado com muito nervosismo e isso está me dando um certo problema na saúde." Isto é uma coisa bem séria. Como alguém poderia ter respondido? Talvez que pena ou dar exemplos ruins. Quando vamos ver, o foco está numa parte negativa, colocando energia no que não dá certo. A reação quando veio esse relato, escutamos, perguntamos por mais detalhes. Para a pessoa, é bom poder contar dos seus problemas, mas a primeira coisa que perguntamos foi o que ele poderia fazer para ele melhorar isso? Aí está a chave para melhorar, mesmo que não saiba a solução, já está querendo isto. O desfecho foi, se ele gaguejasse menos, poderia gaguejar menos. Ele percebeu que se falasse mais devagar, teria mais fluência. Quanto pior for o problema, mais ele serve como estímulo.

Outra coisa comum da gente escutar é: Aqui no grupo eu consigo falar bem, mas não adianta porque eu saio e na rua eu gaguejo bastante. Espera, você acha que de uma hora pra outra vai sair falando bem? Precisa conquistar um degrau de cada vez. Começa com situações fáceis no grupo, com a família, amigos até chegar em níveis mais difíceis, como uma palestra! Tenho melhorado muito a minha fala, mas aqui agora estou gaguejando bastante, mas não vou ficar desanimado com isso. Faz parte. Isso não quer dizer que preciso trabalhar mais.

Um pouquinho sobre o funcionamento do grupo e o local. A Associação Cristã de Moços (ACM) tem sido grande parceira nossa. A sala onde acontece o encontro é um local fechado, o que o grupo precisa é uma sala com cadeiras. Para nós tem funcionado bem o sábado de tarde. Começamos com encontros mensais, mas com a motivação, fomos vendo que o grupo às vezes ajuda bastante nos dias seguintes. A gente se reunindo mais frequentemente, os resultados duram mais tempo, então temos encontros a cada duas semanas. O grupo de Porto Alegre tem uma média de cinco que frequentam mais, mas quem modera dos grupos não deve se desmotivar se algum dia for um ou dois só porque a qualidade do encontro é mais importante. Se aquelas poucas pessoas conseguiram conversar e evoluir .

Outra frase que peguei de um integrante: a motivação do grupo é o mais importante. Para muitas pessoas isto vai fazer bastante diferença.

Vou fazer um parênteses sobre os tratamentos. Deixo claro que não é um grupo de terapia para a fala. A pessoa deve procurar um especialista para a gagueira, ir atrás e estudar sobre a gagueira.

O livro Auto-terapia para mim é a bíblia do tratamento da gagueira, porque a partir dali eu pude aprender uma gama grande de conhecimentos.

Recomendo que a pessoa tenha um caderno para que a pessoa anote suas observações e estudos. Pelo menos três vezes por semana, por uma hora, a pessoa em que tratar da sua fala, seja com fonoaudiólogo, em casa, mas que tenha regularidade no esforço para melhorar.

Dois livros que recomendo são 100 Maneiras de Motivas as Pessoas, de Steve Chandler e Autoterapia Para Pessoas que Gaguejam, de Malcolm Fraser.

Para quem mora num local onde não há Grupo de Apoio, essa é pra vocês. Mandei um email à ABRA Gagueira para saber se tinha um grupo em Porto Alegre, então a Daniela e a Eliane responderam que não tinha ainda e me disseram para ampliar. Eu respondi que não, pois não tinha tempo. Mas fiquei pensando em casa, que se eu quisesse melhorar a minha fala, eu teria que dedicar algum tempo para eu tratar da minha fala. Então li o regulamento, tive todo o apoio da Eliane e da Daniela, mandei a carta me inscrevendo como voluntário da ABRA Gagueira, e quando vê, está o grupo funcionando. Quem gostaria de ter um grupo na cidade, faça a pergunta a si mesmo: porque não abrir um grupo?

Para encerrar, a mensagem que quero passar é: para quem modera grupos de apoio, que conduza eles de forma motivadora. Para quem mora em locais onde ainda não tem, que abra o seu grupo. Para quem participa, faça a sua parte, querendo melhorar, pois todos somos capazes de fazermos o que nós queremos."




Comentários (7):
08/01/2011
15h35min
Débora Rangel (Débora Rangel)
MARIA DE LOURDES as pesquisas com o Pagoclone foram suspensas o remédio nunca foi a venda, pois estava em fase de experiências no laboratório.
07/01/2011
23h52min
MARIA DE LOURDES SOARES BASTOS (MARIA DE LOURDES SOARES BASTOS)
Onde vende o paglocone alguem sabe ?
21/12/2010
20h44min
Othon Narbal (Othon Narbal)
Gostei bastante do texto, em especial, quanto ao pensamento otimista. Quem gagueja não pode deixar a "peteca cair" nunca, ainda mais num mundo como o nosso tão competitivo. Além disso, a gagueira é apenas uma das dificuldades que nos atormentam, embora muita vezes acreditemos ser a única. Eu tomei a liberdade em usar o "nós", pois imagino ser uma realidade que vocês também vivenciem. Parabéns Rodrigo. Otimismo sempre!
02/12/2010
23h14min
Claudionei Freitas (Claudionei Freitas)
Quero participar muito de um grupo de terapia de gagueira, moro próximo a Porto Alegre, será que em Porto Alegre tem algum grupo. Obrigado pela atenção
27/10/2010
12h27min
GELDER ANTÔNIO MARCHEZI (GELDER ANTÔNIO MARCHEZI)
Parabéns Rodrigo pela grande força de vontade e garra, pois vejo que gagueira não te intimida. Você também será uma referência para que eu consiga diminuir mais a minha timidez, sobretudo em minhas palestras e falas em público. Parabéns!
26/10/2010
22h06min
FABIANA CARLAS NOVELLI (FABIANA CARLAS NOVELLI)
Parabéns Rodrigo pelo lindo trabalho que vocês desenvolvem no Grupo de Apoio de Porto AlegreRS e pelo seu lindo depoimento, sua garra, sua determinação de vida. Adorei conhecêlo, você é muito especial para mim. Seja sempre bem vindo ao Espírito Santo!!! Até Breve!!!
24/10/2010
22h14min
Débora Rangel (Débora Rangel)
COM TODA CERTEZA, seu depoimento me inspirou muito. Me segurei um pouco para não chorar. Parabéns pelo seu trabalho em Porto Alegre, com certeza o seu grupo se sente muito inspirado por vc.



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