Fórum Online - Dia Internacional de Atenção à Gagueira

Afinal, o que causa a gagueira?
por Fernanda Papaterra Limongi


A gagueira é conhecida há muitos séculos: Moisés é citado como a primeira pessoa com gagueira que se tem notícia. "Perdoa, Senhor; não sou de palavra fácil: minha língua é tarda" (Êxodo, 4:10). Embora seja um problema antigo e universal, presente na humanidade através de toda a História, até hoje suas causas não são totalmente conhecidas. Por que? Simplesmente porque não existe uma só causa que explique todos os casos de gagueira. E talvez, esta seja a única premissa em que todos os teóricos que se propõem a estudar a gagueira concordam: que não existe uma só causa para o aparecimento desta condição.

O que se sabe a respeito da gagueira?

Sabe-se que a gagueira:
- é um problema de infância, geralmente tendo seu início antes dos seis anos de idade.
- apresenta um padrão de incidência familiar.
- pode ser precipitada e perpetuada por certos eventos ambientais.
- tende a aparecer mais freqüentemente em crianças descritas como sensíveis, que podem ser mais vulneráveis ou susceptíveis à tensão.
- tende a exibir ciclos de freqüência e severidade em um mesmo indivíduo.
- consiste em grande parte em um comportamento de evitação e de fuga.
- é freqüentemente associada com a expectativa e a antecipação de sua ocorrência.
- é um problema pessoal: indivíduos que gaguejam podem relatar medo, frustrações, perda da auto-estima.
- é um evento psico-social. Em geral, as pessoas não gaguejam quando falam sozinhas, com bebês ou animais de estimação.

Ao longo dos anos, estudiosos propuseram algumas teorias quanto à sua etiologia. A gagueira seria:

1- O resultado de um conflito psiconeurótico; ou
2- Um problema neurológico; ou
3- Um comportamento adquirido.

Porém, sabe-se que nem todo conflito psicológico produz gagueira; como então justificar seu aparecimento? Por outro lado, a falta de especialização do hemisfério esquerdo para a linguagem ou a hiperativação do hemisfério direito, não dominante para linguagem, têm sido razoavelmente aceitas como possíveis causas da gagueira, mas evidentemente, só em alguns casos. Como explicar a gagueira quando não estão presentes estas ou outras condições? Ou ainda, se foi um comportamento aprendido, por que este ocorreu?

O problema é complexo demais para ser reduzido a apenas uma causa. Há pessoas que gaguejam com algumas pessoas e não com outras; em algumas situações e não em outras. Como amalgamar estas teorias numa só?

Minha compreensão da etiologia da gagueira está fundamentada na teoria psicobiológica de Engel (1975) que reconhece a existência de fatores predisponentes (de origem genética e/ou neurológica), de fatores precipitantes (predominantemente ambientais) e fatores perpetuantes (incluindo medo e ansiedade) para o seu aparecimento e manutenção.

Assim entendida, pressupõe-se primordialmente uma causa orgânica (na maioria dos casos não detectada, não conhecida, que apareceria apenas como uma predisposição), seguida de um fator de origem psicológica que precipitaria o processo, que se perpetuaria num círculo vicioso de tensão muscular, medo e ansiedade. Quanto mais medo, mais luta, mais tensão, mais gagueira. Quanto mais gagueira, mais luta, mais medo, até que o processo seja identificado, interrompido e modificado.

* Fernanda Papaterra Limongi
Fonoaudióloga pela PUC-SP, com Pós-graduação e especialização em afasia e gagueira pela University of North Dakota, USA.


Perguntas e Respostas


Nome ou iniciais: Aline Martins
Cidade/Estado: São Paulo/SP
Profissão: Webdesigner
Pessoa que gagueja? Sim
Familiar de pessoa que gagueja? Sim
Postado em: 17/10/2006 18h41min

Pergunta:
Gostaria de saber se há algum exercício indicado para tentar amenizar essa gagueira, pois no meu caso sinto que se trata mais de um problema psicológico, pois dependendo do ambiente em que estou não gaguejo, e geralmente também percebo ao falar, uma certa dificuldade em respirar. Então gostaria de saber se há alguns exercí­cios para se fazer em casa no dia a dia. obrigada!

Resposta:
Prezada Aline:
Você me relata que "em determinados ambientes não gagueja". Vamos partir deste ponto: por que você gagueja em determinadas circunstâncias (ou talvez com algumas pessoas) e não em outras (ou com outras)? A resposta é que em algumas situações você se sente bem, segura, auto-confiante e não apresenta tensão nos órgãos da fala. A luta que se faz para que a palavra saia, quando ela "emperra", é a própria gagueira. Repito: a gagueira é a luta. Com a luta, a palavra acaba saindo, mas sai "gaguejada". Por isso, deve-se desautomatizar ou desaprender o comportamento de forçar, de lutar, de fazer a palavra sair a qualquer custo. Eliminar a luta, a tensão, e a seguir falar com um contato suave dos articuladores, já ajuda muito. Quando você fala numa certa dificuldade para respirar, acredito que você, na pressa e ansiedade para falar, principalmente em situações de tensão e estresse de comunicação, utilize o ar residual, isto é, "esquece" de respirar e fala até que o ar se acabe, dando uma impressão até de sufocamento. A pressa e a ansiedade devem ser eliminadas. Algumas pessoas não respiram nas pausas de medo de a gagueira aparecer. Querem livrar-se logo do que tem para falar. Aí falam no ar residual, naquele restinho de ar. Não acredito em "exercícios"; acredito em técnicas de modificação de comportamento: primeiro identificar-se o que se faz (no caso a tensão, a pressa, a respiração inadequada, etc) para depois modificar estas condições.

Um grande abraço,
Fernanda



Nome ou iniciais: Adilson da Hora Santos
Cidade/Estado: Rio de Janeiro/RJ
Profissão: Aux. Escritório
Pessoa que gagueja? Sim
Familiar de pessoa que gagueja? Não
Postado em: 17/10/2006 18h44min

Pergunta:
Eu gostaria de saber se a gagueira é hereditária,se não por que em minha familia tem 3 pessoas (contando comigo) que gaguejam, sendo que das 3 eu sou o que mais gagueja, e também por que eu "tropeço" em certas letras e em certos meses do ano a minha gagueira fica mais acentuada. Obs. eu sou evangélico, e consigo discursar para cerca de 300 pessoas sem gaguejar quase nada. obrigado e parabens pela iniciativa.

Resposta:
Caro Adilson:
Não se pode ainda dizer que a gagueira seja hereditária, pois ainda não se identificou um gene que possa causá-la; mas as evidências (como no seu caso e em muitos outros) mostram que existe uma predisposião (esta sim familiar) para o aparecimento da gagueira. Mas apenas uma predisposião herdada não significa necessariamente que a pessoa vá apresentar o problema. Para o seu aparecimento e instalaão há necessidade de fatores precipitantes e perpetuantes. O fato de você conseguir discursar para um público grande sem quase gaguejar mostra que nesta determinada situaão você se sente seguro e não apresenta tensão nos órgãos da fala. Quanto mais tensão, mais luta, mais gagueira. Quanto menos tensão, ansiedade, medo, menos luta, melhor fluência.

Muito obrigada pela sua participação.
Fernanda



Nome ou iniciais: Claudia Souza
Cidade/Estado: Pouso Alegre/MG
Profissão: Aux. Escritório
Pessoa que gagueja? Não
Familiar de pessoa que gagueja? Sim
Postado em: 19/10/2006 17h49min

Pergunta:
Fiquei sabendo que por meio da hipnose pode-se curar a gagueira. Gostaria de saber se esse tratamento é reconhecido e se há possibilidade de êxito para a cura. Obtive informações de que um hipnólogo famoso vem curando algumas pessoas com gagueira. Será possí­vel?

Resposta:
Prezada Cláudia:
Infelizmente, não tenho como te ajudar em minha resposta: desconheço curas de gagueira pela hipnose e também não sei quem é esta pessoa que você mencionou. A hipnose é uma sugestão: até acredito que sob hipnose, uma pessoa que gagueja possa ficar fluente; mas não creio que esta fluência perdure por um longo período de tempo após o término da sessão.

Abraços,
Fernanda



Nome ou iniciais: Atul Friedrich Gawande
Cidade/Estado: Malmo, Suécia/indefinido
Profissão: Neurocirurgião
Pessoa que gagueja? Sim
Familiar de pessoa que gagueja? Sim
Postado em: 19/10/2006 17h49min

Pergunta:
Diante das platitudes desconexas que tenho observado em determinadas discussções sobre as causas da gagueira, acho importante fazer algumas considerações oportunas. Devo admitir que frequentemente fico admirado com a alienação que percebo por parte de determinados terapeutas em relação àquilo que vem acontecendo no universo da pesquisa cientí­fica. Não há mais como ignorar que, desde a última década, a possibilidade de estudar o cérebro em funcionamento transformou a compreensão que se tinha da gagueira e a transportou para um novo território de estudo. Dez anos atrás, qualquer um poderia formular qualquer tipo de teoria: anormalidades do aparelho fonador, desordem neurótico-psicogênica, hiperativação da amí­gdala, conflito entre os hemisférios direito e esquerdo pela primazia da fala, e assim por diante. A lista é bem extensa. Só que hoje em dia, os tempos são outros e o ní­vel de rigor cientí­fico para a proposição de uma teoria está bem mais elevado, tendo em vista o acúmulo de estudos neuroimagí­sticos, genéticos e farmacológicos já realizados. Desse modo, se você defende uma determinada teoria, precisa necessariamente explicar antes todo o conjunto de evidências experimentais já documentadas. Por exemplo: 1. Sua teoria consegue explicar por que determinados agentes farmacológicos aliviam a gagueira e outros a recrudescem sensivelmente? 2. Ela consegue explicar por que certas regiões cerebrais apresentam um padrão de ativação modificado em gagos? 3. Ela consegue explicar a hiperatividade do sistema neurotransmissor dopaminérgico e ao mesmo tempo o baixo ní­vel de atividade em determinadas regiões dos núcleos da base verificada em gagos? 4. Ela consegue explicar a semelhança sintomatológica entre a gagueira e outros distúrbios que afetam os núcleos da base, como as distonias específicas à tarefa? 5. Sua teoria consegue explicar a indução de fluência gerada por tarefas como o canto, a fala em coro e o feedback auditivo alterado levando em conta as diferenças no modo como o cérebro controla movimentos regulados por comandos de prompt internos ou externos? 6. Se sua teoria aponta para uma disfunção em determinada área do cérebro, por que essa disfunção não aparece nos exames de neuroimagem? 7. Sua teoria consegue explicar o componente genético da gagueira? Portanto, não se pode mais sair por aí­ e afirmar qualquer coisa na tentativa de explicar a gagueira. Você pode até escrever algo que lhe pareça convincente ou satisfatório, mas não poderá mais reivindicar um caráter cientí­fico àquilo que está dizendo. Esta é a grande diferença para a qual alguns ainda não abriram os olhos. Ainda resta muito a fazer e descobrir, mas aquilo que já se sabe impõe um benéfico cerceamento no campo das possibilidades especulativas para as causas da gagueira.

Resposta:
Prezado Atul:
Não sei se suas consideraões um tanto quanto agressivas a respeito de uma possível falta de rigor científico são dirigidas a mim, em particular, ou a todo o grupo que se propôs a discutir as causas da gagueira nesta ocasião. Não sei a que superficialidades você se refere. Mas, como você faz muitas perguntas, vamos por partes: Você diz que a possibilidade de se estudar o cérebro em funcionamento transformou a compreensão que se tinha da gagueira e a transportou para um novo território de estudo. Será? Que compreensão se tinha antes e que compreensão se tem agora? Será que esta possibilidade explica porque certas pessoas gaguejam em determinadas situaões e não em outras? Atendi hoje a um rapaz que só gagueja com pessoas conhecidas e nunca com estranhos! Será que um baixo nível de atividade nos núcleos da base explica isto? Concordo com você que muito se conhece hoje que não se conhecia anteriormente, mas, vamos ser honestos: as causas da gagueira ainda são uma incógnita para todos. O que disse no meu texto é uma grande verdade, e vou repeti-la em letras garrafais: NÃO EXISTE UMA SÓ CAUSA QUE EXPLIQUE TODOS OS CASOS DE GAGUEIRA. E minha teoria é muito bem fundamentada pois reconhece a existência de fatores predisponentes (ainda não identificados), precipitantes (ambientais) e perpetuantes. Nem eu nem nenhuma de minhas colegas postulamos uma teoria que aponta (apenas) uma disfunão específica em alguma área do cérebro ou que explica qual o componente genético da gagueira. Isto, como você sabe: ainda não se sabe.

Não escrevi o que me pareceu satisfatório e convincente: escrevi aquilo em que acredito atendendo diariamente pacientes com gagueira em meu consultório desde 1975. E, diga-se de passagem, com bastante sucesso, e com isto quero dizer a obtenão e manutenão da fluência. Concordo com você que ainda nos resta muito a fazer e a descobrir; mas posso lhe afirmar que meus olhos estão bem abertos.

Fernanda Papaterra Limongi



Nome ou iniciais: Natally Ribeiro
Cidade/Estado: São Paulo/SP
Profissão: Estudante
Pessoa que gagueja? Não
Familiar de pessoa que gagueja? Não
Postado em: 22/10/2006 10h20min

Pergunta:
Olá Fernanda! Eu sou estudante do 2º ano de Fonoaudiologia da PUC - SP, e conheci parte do seu trabalho na Semana de Fono no mês passado. Aliás, parabéns pelo seu trabalho, me emocionei muito ao assistir o Teatro de Afásicos! Lindo!!!!! A minha pergunta é mais direcionada ao seu trabalho terapêutico com os pacientes gagos: Como você conduz suas terapias? Eu sei que cada gago é um gago, cada um tem suas determinadas maneiras de "manifestar" sua gagueira. Eu gostaria de saber como é o seu primeiro olhar diante de um paciente gago? Você trabalha também com o psí­quico? (Estou te perguntando isto porque eu vejo que existe inúmeras maneiras de trabalhar com a gagueira, e com o gago também. E como estou tendo esta disciplina agora, gostaria de também conhecer um pouco do seu ponto de vista em relação ao tratamento). Um abraço!

Resposta:
Prezada Natally:
Obrigada por suas palavras: também acho o "Teatro de Afásicos" emocionante. Fico feliz por ter gostado: venha nos visitar quando quiser.

Quanto ao trabalho terapêutico com os pacientes gagos, sigo uma linha comportamental. Como você diz, cada caso é único, mas o comportamento segue certas leis, e eu acredito que ele (comportamento) possa ser modificado, possibilitando a fluência ao gago. Não importa se o paciente gagueja porque tem um componente genético que determine isso, ou se tem uma alteração neurológica, ou se na infância ele teve um trauma, ou o que quer que seja que se discute como as causas da gagueira. Enquanto não se conhece o suficiente para uma intervenção medicamentosa (em estudos), fico com o sintoma gagueira. Depois de ouvir a queixa e proceder à anamnese, filmo o paciente e peço que ele identifique (e o ajudo a identificar) tudo o que ele faz que não é adequado: as lutas, tensões na área oral, bloqueios, repetições, outros movimentos associados, etc. É necessário que o paciente saiba o que vai modificar. O passo seguinte é que ele "cancele" ou deixe de fazer o que ele normalmente faz para a palavra sair, o que na maioria das vezes, é a "luta". Como esta luta foi perpetuada por algum período de tempo, ela deve ser "desautomatizada". O programa que sigo, fundamentado pela teoria de Bruce Ryan, é composto de passos.

Como na maioria das vezes a gagueira é funcional (mesmo tendo causas neurológicas) - isto é, varia em função de determinadas condições (pessoas, circunstâncias, palavras, etc), há a necessidade de se trabalhar com os sentimentos que cercam o problema: com os medos, ansiedades, frustrações, que na maior parte dos casos estão presentes. Cabe ao fonoaudiólogo trabalhar estes fatores quando estão associados ao problema da comunicação. Outros ajustes emocionais caberiam a um psicólogo.

Como seria muito extensa a explanação de todos os passos que sigo até a obtenção da fluência, convido-a a ler um artigo meu no livro "Gagueira: diversas abordagens" Isis Meira (org), Ed. Cortez ou visitar meu site www.papaterra.fnd.br ..

Sucesso em seus estudos e um grande abraço,
Fernanda



Nome ou iniciais: Maria Theresa Farias Silveira
Cidade/Estado: Fortaleza/CE
Profissão: Estudante
Pessoa que gagueja? Sim
Familiar de pessoa que gagueja? Não
Postado em: 22/10/2006 10h22min

Pergunta:
Você cita no seu texto que quanto mais medo, mais a gagueira aparece.Fernanda, o que você diria da causa da gagueira das pessoas que não tem medo de falar, mesmo possuindo gagueira, até mesmo severa? Sim, eu conheço pessoas que possuem gagueira e que esse problema jamais afetou na sua qualidade de vida.

Resposta:
Prezada Maria Theresa:
Gostei imensamente de sua pergunta. Você tem razão: existem pessoas que não se importam com sua gagueira, mas estas não procuram tratamento! Outras, se incomodam sim, mas como você disse, não tem medo de falar, são extrovertidas e enfrentam situações de comunicação, não fugindo delas ou as evitando. Da mesma forma, existem pessoas que não gaguejam, mas tem algum grau de fobia social que as impede de falar em público ou fazer uma pergunta na classe. (Uma curiosidade: você sabia que um dos maiores medos da humanidade é o de falar em público?) Timidez pode ou não estar associada à gagueira, mais uma vez repito que você tem toda a razão. Nem todo gago é tímido assim como nem todo tímido é gago. Mas, o que eu quis dizer no meu texto, não importa o que causou a gagueira, pois, como você sabe, ela pode ter várias causas - é que, em geral, a gagueira é funcional, isto é, ela varia ou está em função de variáveis. A prova disso é que na grande maioria das vezes, o paciente relata que não gagueja da mesma forma em todas as situações, e esta variação aparece não só em função de situações, mas também de pessoas ou de palavras ou determinados fonemas. É muito raro encontrar uma pessoa que gagueja da mesma forma em todas as situações e com todas as pessoas. Por isso, citei o fator "medo" como uma das variáveis que interferem na piora da fluência. Poderia também citar "ansiedade" ou "pressa", mas isto é muito individual.

Um grande abraço,
Fernanda



Nome ou iniciais: Shirley Iria dos Santos
Cidade/Estado: Palmas/TO
Profissão: N/A
Pessoa que gagueja? Sim
Familiar de pessoa que gagueja? Não
Postado em: 23/10/2006 07h27min

Pergunta:
Realmente Fernanda, gagueira não é um fenômeno que se possa definir de maneira simplista impondo-lhe apenas uma origem ou causa. Parabéns pelo seu texto e tese. Como vc classificaria os casos a seguir: uma garota de 7 anos passou a gaguejar após ter presenciado a mãe se jogar na frente de um trem. "Hereditariedade, imitação, fuga ou predisposição? Outra pessoa de famí­lia repressora simplesmente passou a gaguejar! Duas pessoas, filhos de mãe portadora de gagueira severa, falam fluentemente, mesmo com o pai repetindo todos os dias que os filhos seriam gagos também; Outro filho de mãe super protetora tornou-se gago. Att. Shirley

Resposta:
Prezada Shirley:
Como você mesma mencionou, as causas da gagueira são várias e muitas vezes não conseguimos entender porque certas pessoas que "teriam tudo" para gaguejar, são fluentes, enquanto outras, sem que se entenda o motivo, começam a gaguejar severamente. Uma pergunta que sempre me fazem: um trauma pode levar uma criança a gaguejar? A resposta é: pode, mas não necessariamente. O caso da menina que sofreu um grande choque após presenciar a mãe se jogar na frente de um trem e começou a gaguejar precisamente neste dia, é chamado de "gagueira histérica ou neurótica" por alguns autores. Seria uma resposta psíquica frente a um acontecimento muito difícil de se lidar. Nestes casos, a gagueira geralmente tem como característica um padrão repetitivo, sempre igual, variando pouco ou quase nada em diferentes situações. Não é uma gagueira funcional, isto é, não varia em função de pessoas, ou palavras, ou outras condiões. Esta gagueira tem sempre um início abrupto e bem definido. Por outro lado, outras crianças sofrem traumas gravíssimos e nem por isso começam a gaguejar. Por isso acredito que deva existir um fator que predispõe ao aparecimento da gagueira. Para os outros casos, só podemos hipotetizar: provavelmente os filhos da mãe com gagueira severa não tinham a predisposição e o fato do pai repetir que eles gaguejariam não teve qualquer influência. difícil saber "porque sim", assim como é difícil saber "porque não". Das causas mencionadas, apenas não acredito que alguém tenha se tornado gago por imitação, muito embora esta seja uma "causa" bastante referida por pacientes.

Obrigada pela sua participação e um grande abraço.
Fernanda



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